sexta-feira, 11 de março de 2011

Apesar do corte, bancos priorizam habitação

São Paulo - O corte de R$ 5,1 bilhões no programa habitacional Minha Casa Minha Vida, promovido nessa semana pelo governo federal não trará impactos negativos nas carteiras de créditos dos bancos - os maiores fornecedores de crédito ao setor no País.

O segmento, que este ano será puxado pelo setor imobiliário com um volume maior de contratações feita por pessoa jurídica, permanecerá inalterado. A sinalização veio dos bancos de grande porte procurados pela

reportagem do DCI.
Para Marcello Gomella, professor da Universidade Anhembi Morumbi, o corte nada mais é que uma forma de o governo justificar os gastos e só foi empregado no programa habitacional, porque o Brasil conta com outras ferramentas para acabar com o déficit habitacional. "O governo tem de dar uma resposta à população sobre os seus gastos. Mas, o setor da construção civil continuará a crescer", afirma.
O especialista diz que um dos fatores que pode ter levado o governo a intervir no programa foi a falta de espaço para a construção dessas residências. "O governo enfrenta a falta de terrenos para suprir a demanda criada no passado", diz Gomella, acrescentando que investimentos no setor não faltarão. "O crédito existe em abundância, e recursos como o Fundo de Garantia e os consórcios podem segurar o setor", diz.
A Caixa Econômica Federal, ao divulgar o balanço com os resultados do quarto trimestre, informou que a projeção para a carteira de crédito da instituição é de crescimento de 30%. Procurada pelo DCI para comentar as possíveis consequências do corte, a Caixa preferiu não se pronunciar sobre o assunto. No ano passado, o banco foi responsável por 44,6% dos financiamentos de imóveis usados no Estado de São Paulo, sendo líder no mercado segundo o Conselho Regional de Corretores de Imóveis do Estado de São Paulo (Creci-SP). Neste ano, a Caixa entregará 573 mil moradias nova adquiridas pelo Minha Casa Minha Vida.
Gomello, quando questionado sobre o impacto do corte no Caixa, afirmou que será algo pequeno e o banco não sentirá a queda. "A Caixa continuará sendo a maior provedora de crédito habitacional. Isso não vai mudar, o que será sentido é uma menor atividade do setor", afirma.

O Itaú Unibanco, que manifestou a intenção de explorar esse nicho do mercado de crédito, acredita no potencial do setor imobiliário. Em encontro recente com a imprensa, o presidente da instituição Roberto Setubal, afirmou que o mercado tem espaço para crescer. "Crédito Imobiliário no Brasil corresponde a 3% do Produto Interno Bruto [PIB], enquanto em outros países chega a 20% do PIB. Isso significa que existe um grande espaço para crescimento", afirmou.

O Bradesco também mantém as projeções de crescimento de 19% em sua carteira de crédito para este ano, baseado na pessoa jurídica, que não será afetada com o corte orçamentário, visto que o programa habitacional Minha Casa, Minha Vida é destinado a pessoa física de baixa renda.

Segundo o banco, os cortes não interferem em nada nas operações de crédito da instituição e que mantém as projeções para 2011. O Banco do Brasil analisa os impactos das medidas e não quis se pronunciar sobre o assunto.
A Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip) projeta para 2011 expansão de 51% no volume financeiro de financiamento de imóveis, por meio do Sistema de Poupança e Empréstimo (SBPE).
Os dados da associação vão de encontro com as previsões de mercado esperadas para este ano. Gomella ressaltou a saúde financeira das empresas de construção, que recentemente fizeram Oferta Pública Inicial (IPO da sigla em inglês), que significa dinheiro em caixa para progredir ao longo deste ano. "Construtoras listadas na BM&F Bovespa fizeram IPO recentemente para arrecadar capital, os bancos estão sempre em perfeita ordem financeira, então esse medida não abalará nem o mercado financeiro, nem o imobiliário", diz.
No caso do Banco do Estado do Rio Grande do Sul (Banrisul), o presidente Rubens Bordini, disse que pretende conseguir expansão de até 25% na carteira de crédito imobiliário do banco, passando a R$ 1,5 bilhão em 2011.

Fonte: SCIESP - Flávia Milhassi

quinta-feira, 10 de março de 2011

Corte real no Orçamento é de R$ 13 bi e vai afetar Minha Casa, Minha Vida

Para economizar os R$ 50,1 bi anunciados antes, governo inclui no cálculo medidas como combate a fraudes do seguro-desemprego e atraso em pagamento de sentenças judiciais

BRASÍLIA - Do anunciado pacote de contenção de despesas de R$ 50,1 bilhões no Orçamento de 2011 o governo só cortará "na carne" R$ 13 bilhões, dos quais R$ 3,4 são investimentos.

O restante do ajuste o governo pretende fazer à custa de combate a fraudes, do adiamento do pagamento de sentenças judiciais e de reestimativas. É o que revelam os dados divulgados ontem pelos ministros da Fazenda, Guido Mantega, e do Planejamento, Miriam Belchior. Ao contrário do anunciado, o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) foi cortado, com a redução de R$ 5,1 bilhões no Minha Casa Minha Vida - que tecnicamente faz parte do PAC.
Um exemplo de ministério que vai ter redução real de despesas é o da Defesa. A secretária de Orçamento Federal, Célia Corrêa, disse que terão de ser renegociados contratos para a aquisição de helicópteros russos, submarino francês e aviões cargueiros da Embraer. Além disso, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, avisou que não há recursos para comprar caças este ano.
O ministro da Defesa, Nelson Jobim, sustentou outra versão. Afirmou ontem que o corte no orçamento de sua pasta não deverá atingir projetos como o do submarino nuclear e a concorrência internacional para equipar a Força Aérea com novos caças. Segundo Jobim, o corte de 27% não deve impedir que o acordo para a compra dos caças para a FAB seja fechado este ano, mas os gastos só ocorreriam a partir de 2012.
O corte de despesas pretendido pelo governo era de R$ 50,1 bilhões, mas a redução de gastos anunciada ontem foi de R$ 53,6 bilhões, para compensar dispêndios não previstos de R$ 3,5 bilhões. Mas a radiografia dessa numeralha mostra que a tesoura do da equipe econômica não foi fundo no corte de gastos.
A conta, por exemplo, foi inflada com o "corte" de R$ 18 bilhões de emendas de parlamentares, dinheiro que o governo nunca pretendeu liberar de fato. Outros R$ 9 bilhões foram "economizados" com uma nova estimativa de gastos com subsídios.
O Executivo avisou, ainda, que pretende cortar R$ 3 bilhões combatendo fraudes no abono e seguro-desemprego, algo cujo resultado é incerto. Outros R$ 2 bilhões o governo pretende segurar apresentando recursos judiciais para empurrar eventuais pagamentos devidos pela Previdência para o próximo ano.
Minha Casa. O governo anunciou, também, o corte de R$ 5,1 bilhões do Minha Casa, Minha Vida porque a segunda etapa do programa ainda não foi aprovada no Congresso, o que deve se concretizar só por volta de maio. Assim, é um gasto que o governo não conseguiria fazer mesmo se quisesse.
Mais R$ 3,5 bilhões serão poupados com a suspensão de novos concursos públicos e contratações de novos funcionários. Tudo somado dá R$ 40,6 bilhões, sobrando R$ 13 bilhões de corte efetivo.
Dessa porção de corte real, R$ 9,6 bilhões são gastos de custeio. Nenhum ministério escapará de economizar com diárias e passagens aéreas. A presidente Dilma Rousseff deverá assinar hoje um decreto cortando esses gastos pela metade. Haverá, ainda, determinação para que viagens passem pelo crivo dos ministros ou secretários executivos de cada pasta. Serão proibidos gastos com aquisição, reforma e aluguel de imóveis.
Ontem, ao divulgar os cortes, Mantega e Miriam Belchior reafirmaram que o PAC não havia sofrido cortes. De fato, a parcela do programa que se refere a investimentos em infraestrutura ficou intocada. No entanto, o programa Minha Casa, Minha Vida, que é parte do PAC, sofreu reduções.
"É uma questão de nomenclatura", disse Célia Corrêa, ao tentar explicar que o corte no programa habitacional não correspondia a um corte no PAC.
O corte de emendas de parlamentares explica a queda de 84% na previsão de gastos do Ministério do Turismo. A pasta, que teve aprovado um orçamento de R$ 3,6 bilhões, ficou com apenas R$ 573 milhões.

Fonte: O Estado de S.Paulo - Lu Aiko Otta

terça-feira, 1 de março de 2011

Os novos rumos na administração de condomínio

Os orçamentos jamais devem desprezar os recursos para a modernização, diz especialista no tema.

É incontestável que nesta última década a gestão condominial sofreu profundas alterações. A contínua falta de visão sobre a necessidade de profissionalização de um mercado antes sem importância e marginalizado, gerou alguns descompassos e deixou sequelas que só o tempo ajustará.
Destacamos as principais:

1 - A falta de visão de condôminos e do corpo diretivo sobre a necessidade de uma postura mais independente e mais planejada nas ações do edifício.
Considerando-se o envelhecimento das edificações e as ações periódicas de manutenção preventiva, corretiva e emergencial, jamais se deve desprezar nos orçamentos os recursos para a modernização. Trata-se de um fator de atualização do patrimônio. Essa visão é imperativa e deve ser reforçada em cada reunião junto aos moradores.

2 - As administradoras de condomínios devem manter o foco em seu objetivo principal: assessorar e orientar o cliente. Atualmente, grande parte das administradoras agregam serviços e benefícios que muitas vezes só visam a sua diferenciação entre as mais de quatro centenas de empresas que disputam o mesmo mercado. Com isso, sua atividade principal fica em segundo plano.

O condomínio, por meio de seus condôminos e responsáveis, passa a ter uma gama de serviços, úteis, mas secundários, que compensam a ausência de um atendimento personalizado. Não é raro o serviço das administradoras ser comparado com o atendimento sofrível das empresas de telefonia e TVs a cabo. Somente quando o sentido de consultoria for aceito pelos contratantes é que a função principal das administradoras será resgatada e os serviços, valorizados.

3 - A falta de regulamentação da profissão é, talvez, o fator mais importante nesse processo de ajuste e descompasso.

A gestão condominial é elemento de alta importância na condição econômica dos moradores. E não devemos desconsiderar a crescente migração da população para edificações cada vez mais complexas, pelos atrativos que as construtoras oferecem ao mercado. Já podemos projetar que aproximadamente 50% da população da Capital paulista irá morar em condomínios, nos próximos anos.

A complexa gama de atividades que o setor envolve exige atenção especial no que se refere ao atendimento constante da legislação, às relações trabalhistas e às posturas municipais da edificação, além da atenção para a segurança de seus moradores. São atribuições claramente direcionadas às administradoras profissionais que atuam nesse segmento.

Porém, não devemos esquecer que, adicionalmente, exercem essa profissão também advogados, contadores, síndicos profissionais e há ainda as gestões independentes denominadas autogestões. Trata-se de uma complexa rede de prestadores e profissionais que não seguem padrões claros e, muitas vezes, sequer seguem as normas que regem os condomínios, hoje definidas pelo Código Civil. É clara a necessidade de uma padronização dos sistemas e demonstrativos contábeis e financeiros para aumentar a transparência e o entendimento por todos os usuários.

4 - Falta de ação coorporativa dos condomínios e administradoras. Ações conjugadas são muito raras e de resultados escassos frente à importância e à quantidade de condomínios existentes.

Se as administradoras se estruturaram para atender à demanda em toda a gama de serviços, as suas ações são sempre isoladas, atingindo somente os clientes de uma ou outra empresa. A concorrência voraz é em parte causadora dessa desorganização da categoria, aliada à falta de regulamentação.

É preciso, entretanto, superar as diferenças e recuperar o sentimento de união para que se alcancem resultados melhores e se recupere a credibilidade do segmento como um todo. O “lucro” será dos clientes. No caso, os condomínios.

Tratar os condomínios como empresas deixou de ser uma proposta retórica para se transformar em necessidade urgente. A crescente modernização dos edifícios inteligentes já é um fato. Não podemos esperar que as ações governamentais apresentem programas e soluções globais. Cabe a cada empresa administradora, a cada síndico e morador agir e colaborar com ações concretas, que vão desde economias individuais dos elementos de utilização coletiva (como o gasto com água) até a participação comunitária por meio de gestos e ações que ensejem a melhoria da qualidade de vida de sua pequena comunidade, chamada condomínio.

Gabriel Karpat = Diretor da GK Administração de Bens Ltda e consultor do escritório Karpat Sociedade de Advogados.
diretoria@gk.com.br - www.gk.com.br

Fonte: ImovelWeb